
O governo britânico deu um passo controverso ao anunciar a redução da proteção a refugiados, impondo a obrigatoriedade de retorno a seus países de origem quando considerados “seguros”. Essa decisão, revelada neste sábado (15) pelo Ministério do Interior, faz parte de um conjunto de reformas trabalhistas que promete agitar o cenário político na próxima semana.
O plano visa a diminuição do número de imigrantes que chegam ao Reino Unido e inclui a suspensão do acesso automático a ajudas sociais para solicitantes de asilo. O governo, sob pressão constante, busca responder a um clamor crescente, especialmente da ala anti-imigração, representada pelo partido Reform UK, liderado por Nigel Farage, que tem conquistado espaço nas pesquisas eleitorais.
A ministra do Interior, Shabana Mahmood, apresentará os detalhes dessa reforma na próxima segunda-feira. O ministério justificou as novas diretrizes dizendo que, atualmente, os refugiados podem se estabelecer permanentemente no Reino Unido, sem custos, após cinco anos, sem contribuir para a sociedade britânica.
Com as mudanças, a permanência de solicitantes de asilo será reduzida de cinco anos para apenas 30 meses, enquanto o tempo para solicitar residência permanente será quadruplicado, passando de cinco para 20 anos. Essa decisão reflete a crescente pressão sobre o governo de Keir Starmer, no poder desde julho de 2024, para controlar as chegadas de imigrantes e restringir seus direitos.
As ruas também revoltaram-se contra esta política. Este ano, manifestações tomaram conta das cidades, especialmente em frente a hotéis que acolhem solicitantes de asilo. Um protesto da extrema direita em Londres, realizado em setembro, atraiu cerca de 150 mil pessoas, evidenciando a complexidade e a polarização do debate sobre imigração no país.
Desde o início do ano, 39.292 pessoas chegaram à costa inglesa após a perigosa travessia do Canal da Mancha, superando os números do ano anterior. Com essa realidade, a expectativa é que as novas medidas do governo acentuem ainda mais as discussões e divisões dentro da sociedade britânica.
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