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Frequentar academia ficou perigoso? Caso no Ceará assusta, mas cuidado redobrado ajuda a evitar acidentes; veja dicas

O motorista de aplicativo Regilânio da Silva Inácio, de 42 anos, ficou paraplégico após ser atingido por um aparelho de academia (assista abaixo). O caso, que repercutiu em todo o país, aconteceu em Juazeiro do Norte, no Ceará. Vídeos mostram o exato momento do acidente. Regilânio descansava em uma máquina chamada “hack squat”, usada para fazer agachamento convencional, quando o aparelho com 150 quilos caiu sobre seu ombro. Ele sofreu uma lesão gravíssima na coluna, que ficou deslocada. Mesmo operado logo depois, os médicos disseram que ele tem 1% de chance de voltar a andar. O caso foi uma fatalidade, mas o ambiente das academias oferece vários tipos de riscos. O site da Jovem Pan News entrevistou dois especialistas no assunto que explicam como evitar acidentes e lesões.

Há 13 anos atuando como educador físico, o especialista em gestão de pessoas no mercado fitness João Victor Ribeiro destaca que é essencial o praticante de musculação ter consciência de que a academia oferece riscos “iminentes”. Ele alerta que é de extrema importância tomar cuidado com qualquer ação em uma sala de musculação e diz que é preciso “antecipar” o que pode acontecer com atitudes de outros alunos. “É igual a dirigir no trânsito. Precisa dirigir por você e pelos outros. Além de tomar cuidado com o que faz para não machucar outras pessoas, você também precisa estar atento ao que a outra pessoa, que está perto, também faz. Se percebe que tem uma pessoa que não toma muito cuidado e você fica tranquilo, sem se preocupar em antecipar o que ela pode fazer em seguida, pode oferecer risco”, explica. O também influenciador fitness, que conta com mais de 105 mil seguidores no Instagram, reforça a atenção para as etiquetas básicas de uma sala de musculação. “Importante desmontar o próprio aparelho. Você precisa retirar todos os pesos. Você não sabe se depois quem vai usar é uma pessoa de terceira idade, se é um jovem ou um iniciante. Então é você cumprir com a regra número um de etiqueta de toda sala de musculação”, frisa.

João Victor lembra de dois acidentes que já sofreu em academias. “Já derrubei o peso no meu pé e também já me acidentei ao descer uma barra guiada, mais conhecido como agachamento no smith. Tinha uma pessoa ao lado fazendo e não percebi que a manga da barra, espaço que fica para fora do aparelho, iria atingir a pessoa. Estava cheia a sala, tinha pouco espaço e ela acabou ficando em um lugar não muito favorável. Eu também, desligado, acabei acertando o ombro dessa pessoa”, conta. “Precisa estar atento. Algo que eu mesmo utilizo como lição. Às vezes, pelo fato de você sempre estar com fone de ouvido, distraído ou até mesmo estar com pressa para ir embora, você acaba sendo mais reativo e não pensando tanto nas suas ações dentro da academia, o que pode oferecer um risco para aqueles que estão ali também”, reforça.

Musculação

João Victor Ribeiro também é influenciador digital no mundo fitness e conta com mais de 105 mil seguidores – Reprodução/Instagram/@jvmpribeiro

Questionado se existem exercícios mais perigosos, o educador afirmou que há exercício ruim feito com má orientação ou por uma pessoa que não tem conhecimento para trabalhar com certa quantidade de carga. “Hoje, vejo muitas pessoas realizarem exercícios muito mais preocupadas com o ego delas, ou seja, o peso que colocam. Por algum motivo, querem impressionar as pessoas que estão ao redor. A pessoa acaba executando um padrão de movimento muito pobre e que não traz nenhum tipo de benefício para ela. O exercício perigoso não está localizado no exercício em si, e sim na pessoa que está fazendo”, comenta.

Treinar até a falha é uma forma de atividade que alunos de academia costumam realizar. No entanto, João Victor Ribeiro orienta que esse tipo de treino é destinado apenas a alunos avançados. “É somente para aquelas pessoas que já têm um tempo de treino consolidado há mais de cinco anos e que agora o corpo delas não é mais responsivo a um estímulo de treino de resistência. Diferente do que muitos imaginam, quando começa sua jornada no treino de musculação, não precisa treinar até a falha. E outro ponto importante é que o treino até a falha não precisa ser feito todos os dias. Deve ser feito de forma programada, progredir até a falha. Se treinar até a falha todos os dias, é sinal que não está treinando de forma intensa. Treinar até a falha é uma forma que você irá acumular tanta fadiga que não será capaz de se recuperar para a próxima sessão de treino daquela mesma musculatura”, explica.

Co-fundador de um aplicativo próprio de prescrição de treinos e dieta na Apple Store, João Victor orienta que realizar exercícios sob supervisão é sempre bem-vindo. “Seja o composto, que existe um risco maior de executar de forma errada e mais lesiva para o corpo, como os isolados, que são mais simples e que não te acarretam grandes riscos. A supervisão seria mais adequada em exercícios como agachamento, levantamento e desenvolvimento. O grande problema que vejo é que os próprios profissionais de educação física não possuem o conhecimento e a prática dentro desses exercícios para conseguir de fato fazer uma supervisão ou orientação”, alerta.

Também dono de quatro unidades de Crossfit, onde os treinos na maior parte são realizados em um grupo de pessoas, ele fala que treinar em dupla tem mais vantagens do que treinar sozinho na musculação. “Você sempre tem uma pessoa te olhando, podendo te tirar de situações que talvez demoraria para sair se estivesse sozinho. Eu mesmo treino sozinho, mas gostaria de treinar com outras pessoas. Além de me motivar mais, também tem essa questão de ter uma pessoa te ‘cobrindo’ para caso fique exposto em qualquer situação perigosa que coloque sua integridade física em risco”, completou.

Alunos de Crossfit também devem ter cuidados com aparelhos?

Crossfit

Wellington de Santana atua há 7 anos como coach de Crossfit – Arquivo pessoal/Wellington de Santana

Assim como a musculação, o Crossfit também exige cuidados. Há 13 anos na área de educação física, sendo 7 anos como coach de Crossfit, Wellington de Santana Santos, de 37 anos, explica que o método é um treinamento de força e condicionamento geral que proporciona a mais ampla adaptação fisiológica possível para qualquer tipo de pessoa, independente de idade ou nível físico, gerando maior otimização de todas as capacidades físicas. São elas: resistência cardiorrespiratória, resistência muscular, força, flexibilidade, potência, velocidade, coordenação, agilidade, equilíbrio e precisão. Wellington diz que orienta os alunos a preservar o bem-estar e a saúde, ao invés de exercícios ou movimentos com cargas elevadas. “No Crossfit, quando faz algum tipo de agachamento, algum exercício que corre o risco de se machucar, pedimos que os alunos façam em trio, sempre um fazendo o movimento e dois como apoio para caso aconteça alguma falha mecânica. Antes do agachamento com cargas elevadas, também temos uma didática de explicar para o aluno como fazer em possível situação de não conseguir levantar a carga. Eles acabam aprendendo a soltar a barra antes mesmo de aprender a execução do movimento. No ‘back squat’, por exemplo, na hora que o aluno não consegue levantar a carga, ele sabe como soltar a barra para trás para não correr o risco de se machucar”, explicou.

Para o coach de Crossfit, não existe exercício perigoso, mas sim exercícios de maior dificuldade. “Os exercícios na máquina são mais fáceis de ser executados. Já os livres têm um grau maior de dificuldade. Mas vai do professor orientar e adequar o exercício para cada aluno. Normalmente, os iniciantes começam em exercícios na máquina até aprender e ter coordenação naquele movimento e depois vamos passando para os livres e com dificuldade maior”, diz.

Em comparação com a academia, Wellington fala que a supervisão no Crossfit é mais fácil. “Isso porque todos alunos fazem ao mesmo tempo o mesmo treino. Então se tiver uma pessoa fazendo errado é mais fácil de corrigir. Já na sala de musculação são um ou dois professores e vários alunos fazendo exercícios diferentes. Então fica mais difícil para os instrutores ter um acompanhamento mais de perto.” Assim como João Victor Ribeiro, Wellington também comenta que treinar sozinho é mais perigoso do que em dupla ou mais pessoas. “Às vezes a pessoa pode passar mal ou ter algum tipo de lesão e não ter ninguém ali para ajudar. Sempre bom ter alguém por perto, principalmente quando estiver treinando pesado, para não correr risco.”

 

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