InícioEntretenimentoCelebridadeO Carnaval da Polícia Militar

O Carnaval da Polícia Militar

A Polícia Militar da Bahia já animava a festa antes do primeiro Carnaval oficial de Salvador, que teoricamente substituiu o entrudo, realizado pela primeira vez em 1884. Foi a banda da Polícia Militar quem animou blocos, pranchas de bonde, desfiles dos grandes clubes, coretos nos bairros e festas de salão, durante sete décadas pelo menos. A PM possuía várias bandas musicais para atender à demanda. A congregação possibilitou aos músicos baianos fazerem carreira com estabilidade no emprego e soldo garantido no final do mês. Outros músicos não tinham a mesma garantia de estabilidade e nem mercado para eles. Existiam as Filarmônicas, formadas por voluntários que animavam festas religiosas e cívicas por prazer e passando a cuia para sobreviver.

As bandas da Polícia Militar da Bahia animavam o Carnaval de rua e dos salões. Em 1863, o maestro cachoeirano José Lourenço de Aragão, à frente de uma orquestra da corporação, interpretou no Carnaval “masque” do Teatro São João, a famosa “Polca dos Beijos”. Tocou também mazurcas e quadrilhas e mandou ver no seu repertório “O Imperial marinheiro”, “Souvenir de Roma”, dentre outras composições e, à meia noite, para delírio dos convidados, a produção a postos com pistolas da verdade, interpretou “O Carnaval de Paris”, com sonoplastia delirante de tiros de pistola e estalos de chicote no chão.

Era a Orquestra da PM que na década de 1870 interpretava o famoso “Galope infernal”, a coreografia de exaltação, inspirada no maestro francês Philipe Mussard. No Rio de Janeiro e na Bahia, era a cereja do bolo, o grand-finale da festa, com os convidados correndo para um lado e para o outro, suando às bicas, a um ritmo acelerado, estilo arrastão. Os jornais anunciavam o galope como “diabólica e delirante quadrilha”. O repertório musical incluía “As Pílulas do Diabo” e “O Diabo a Quatro”, trechos de música emendados, a maneira dos DJs da atualidade.

Quando nasce o Carnaval de rua oficial, a partir de 1884, e surgem as grandes agremiações carnavalescas, estas requeriam com antecipação as bandas da PM. O Clube Carnavalesco Fantoches da Euterpe, nas suas origens, promovia na sua sede animados ensaios de Carnaval, como contou Eliana Dumet, no seu livro sobre Luís Tarquínio, onde eram repassados os hinos, dobrados e marchas que seriam interpretados no cortejo pela banda da Polícia Militar.   

Nas fotos dos carnavais antigos, verificamos que os músicos da PM se dividiam em pequenas bandas, de oito a dez componentes no máximo, para atender à demanda de vários clubes carnavalescos e das festas populares no ciclo do verão. A banda original da PM é de 1849, regida pelo maestro Lourenço de Aragão, aqui referido, hoje denominada de Banda Maestro Wanderley, em homenagem ao regente João Antônio Wanderley, autor musical do hino do Senhor do Bonfim com letra de Arthur de Salles. O maestro, também animador de Festas Populares.

Em 1938, o então músico, que se tornaria regente da banda da PM, Valdemar da Paixão, venceu o concurso de sambas e marchinhas carnavalescas da Rádio Sociedade com a marcha “Bela Moreninha”. O maestro chegou a ser contratado, mais tarde, na década de 1940, como diretor musical da emissora, contou certa feita o pesquisador Perfilino Neto. E a famosa e tradicional Mudança da Garcia teve seu berço com a participação de músicos da PM, em 1945. Os irmãos Zequinha e Candinho, da banda da Polícia Militar, criaram o bloco “Arranca-Toco”, na Fazenda Garcia, que se tornou “Faxina do Garcia”, em 1950, e mais tarde, em 1959, Mudança do Garcia.

Nelson Cadena é publicitário e jornalista, escreve às quintas-feiras

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