InícioEditorialPolítica NacionalOposição critica Boulos por apagar post sobre aumento de renda

Oposição critica Boulos por apagar post sobre aumento de renda

Deputado citou estudo que mostra crescimento na distribuição de renda no governo Bolsonaro, só que sem considerar a inflação

Deputado Guilherme Boulos (Psol) é apoiado pelo presidente Lula na disputa pela Prefeitura de São Paulo Sérgio Lima/Poder360 – 28.mar.2023

PODER360 20.jan.2024 (sábado) – 9h28

O pré-candidato à Prefeitura de São Paulo pelo Psol, deputado Guilherme Boulos, foi criticado por políticos de oposição na 6ª feira (19.jan.2024) por apagar um post que falava sobre o crescimento na renda da população mais pobre de 2017 a 2022. Na época, o Brasil foi comandado pelos ex-presidentes Michel Temer (MDB) e Jair Bolsonaro (PL).

Em publicação feita no X (ex-Twitter), na 4ª feira (17.jan), Boulos mencionou alta de 33% na distribuição de renda apresentada por uma nota técnica do economista Sérgio Gobetti e publicada pelo Observatório de Política Fiscal do FGV Ibre (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas).

Os resultados apresentados são nominais –sem considerar a inflação. Ajustado, o crescimento da distribuição se deu pouco acima do indicador. Ou seja, em termos reais, a discrepância entre pobres e ricos seria ainda maior.

“A renda do 0,01% mais rico (apenas 15.000 pessoas) no Brasil disparou 96% entre 2017 e 2022. Já a renda da maioria (95%) da população subiu apenas 33%”, afirmou o psolista.

Também pela rede social, a deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) perguntou por que Boulos apagou a publicação. “Apagou por qual motivo, Boulos? Porque sem perceber admitiu que a renda do mais pobre subiu 33% durante os 4 anos do governo do Presidente Bolsonaro?”, escreveu a deputada.

Leia outras manifestações nesse sentido:

Deputado estadual Gil Diniz (PL-SP):

Vereador Rubinho Nunes (União Brasil-SP):

Deputado federal e ex-ministro da Cidadania no governo Temer, Osmar Terra (MDB-RS):

Na 5ª feira (18.jan), Bolsonaro já havia se pronunciado sobre o tema. O ex-presidente agradeceu Boulos pelo que chamou de “sinceridade de expor que a distribuição de renda avançou” durante seu governo. Leia mais nesta reportagem.

Em seu perfil no X, o autor do estudo respondeu à publicação feita por Bolsonaro. Explicou que o “aumento real da renda dos mais ricos, em termos reais, foi até 25 vezes maior do que dos brasileiros mais pobres”, o que significa uma “piora da desigualdade”.

Eis abaixo a publicação de Gobetti:

ENTENDA OS DADOS A renda dos muito ricos cresceu, nos últimos anos, a um ritmo que foi o triplo da média registrada por 95% dos brasileiros, segundo os dados que estão da nota técnica. Eis a íntegra (PDF – 273 kB).

Gobetti usou informações da Receita Federal e do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) para comparar a renda média em 2017 e 2022 em 4 estratos sociais: o 0,1% mais rico, o 1% mais rico, os 5% mais ricos e os 95% restantes da população adulta (com 18 anos ou mais de idade).

“O que se vê é que, além dos mais ricos terem, em média, maior crescimento de renda do que a base da pirâmide, a performance é tanto maior quanto maior é o nível de riqueza”, diz a nota.

Eis os resultados:

reprodução/FGV Ibre

Tabela da evolução da renda dos mais ricos no Brasil

Os 95% da população adulta mais pobre tiveram um crescimento de renda médio de 33% no período de 5 anos. Entre as 15.000 pessoas que compõe o 0,01% mais rico, o crescimento foi de 96%.

A renda do 1% mais rico passou de 20,4% para 23,7% do total de 2017 a 2022. Entretanto, mais de ⅘ dessa concentração adicional de renda foi absorvida pelo 0,1% mais rico. Segundo os dados, 153 mil adultos viram sua renda média mensal ir de R$ 236 mil em 2017 para R$ 441 mil em 2022.

Para pertencer ao 0,1% mais rico, conforme a nota técnica, deve-se ter uma renda de pelo menos R$ 140 mil mensais. Já para pertencer ao 1% mais rico, a renda necessária é superior a R$ 30.000. Para pertencer aos 5% mais ricos, são necessários R$ 10.000 mensais.

“Mais importante, porém, do que ajudar a definir quem é ou não rico (e em relação a quem), os resultados da análise com base nos dados do IRPF servem de alerta sobre o processo de reconcentração de renda no Brasil e sobre os vetores que mais contribuem para isso – os rendimentos isentos ou subtributados que se destacam como fonte de remuneração principal entre os super ricos”, diz o texto.

Eis a variação da renda média de 2017 a 2022:

reprodução/FGV Ibre

Tabela com a variação da renda média de 2017 a 2022

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