Direito ao Sorriso: O Guia de Leis e Benefícios para Famílias com Fissura Labiopalatina

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O tratamento da fissura labiopalatina é um direito garantido pelo SUS através da Lei 15.133/2025, que obriga o Estado a fornecer cirurgias e acompanhamento multidisciplinar. Famílias de baixa renda podem ter direito ao benefício mensal de um salário mínimo (BPC/LOAS) se a condição impactar o desenvolvimento e a aprendizagem da criança.

A jornada de reabilitação de uma pessoa com fissura labiopalatina no Brasil dura, em média, 20 anos. Durante esse longo percurso, as famílias enfrentam não apenas desafios clínicos, mas também financeiros e burocráticos. A boa notícia é que o Brasil possui uma das legislações mais avançadas do mundo para proteger esses pacientes.

A Nova Lei Federal 15.133/2025: O que muda na prática?

Sancionada recentemente, a Lei Federal nº 15.133/2025 é o pilar fundamental do tratamento no país. Ela estabelece que o Sistema Único de Saúde (SUS) é obrigado a prestar serviço gratuito de cirurgia reconstrutiva e tratamento pós-cirúrgico integral.

O que o SUS deve cobrir obrigatoriamente?

  • Cirurgias de queiloplastia (lábio) e palatoplastia (palato).

  • Acompanhamento com fonoaudiologia, psicologia e ortodontia.

  • Encaminhamento imediato para centros especializados assim que o diagnóstico é feito, seja no pré-natal ou logo após o nascimento.

O portador de fissura tem direito ao BPC (LOAS)?

Esta é a pergunta mais frequente em fóruns de assistência social. O BPC (Benefício de Prestação Continuada) é um benefício de um salário mínimo mensal pago pelo INSS.

Para ter direito, a família deve preencher dois requisitos principais:

  1. Renda Familiar: A renda por pessoa da casa deve ser de até 1/4 do salário mínimo (embora esse valor possa ser flexibilizado em alguns casos na justiça).

  2. Impacto no Desenvolvimento: No caso de crianças e adolescentes, o perito do INSS avalia se a fissura causa impedimentos de longo prazo que impactam a aprendizagem, a fala, a nutrição ou a integração social.

Muitas famílias conseguem o benefício devido à complexidade do tratamento, que exige deslocamentos frequentes e impede que muitos pais consigam manter um emprego formal enquanto cuidam da reabilitação intensiva do filho.

Fissura Labiopalatina é considerada deficiência?

Atualmente, existe um movimento nacional para que a fissura seja reconhecida legalmente como deficiência física em todo o país. Alguns estados já se adiantaram: Santa Catarina (Lei 18.508/2022), Paraíba e Roraima já possuem leis que estendem aos fissurados os mesmos direitos, cotas e benefícios sociais previstos para pessoas com deficiência.

Esse reconhecimento é vital porque permite o acesso a:

  • Prioridade em atendimentos e filas.

  • Isenções de impostos em alguns casos.

  • Cotas de aprendizagem e emprego na fase adulta.

Onde buscar apoio se os direitos forem negados?

Se a família encontrar dificuldades para agendar cirurgias ou conseguir benefícios, o primeiro passo é procurar a Unidade Básica de Saúde (UBS) para o encaminhamento oficial. Caso o direito seja negado, associações como a Rede Profis e a ABFLP (Associação Brasileira de Fissuras Lábio Palatinas) oferecem orientações e suporte para navegar na burocracia estatal.

A informação é a ferramenta mais poderosa para garantir que nenhuma criança fique sem o tratamento que lhe devolverá a plena capacidade de comer, falar e sorrir com confiança.

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