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PP, de Lira, e Republicanos, de Tarcísio, discutem formar federação partidária

Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados

O presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL) 21 de outubro de 2023 | 17:00

As cúpulas de PP e Republicanos começaram a discutir a possibilidade de formar uma federação partidária. Segundo a reportagem apurou, as conversas ainda estão em fase inicial, mas cardeais das legendas se reuniram para tratar do tema nas últimas semanas.

A união entre os dois partidos poderia criar uma bancada de 90 deputados na Câmara, ficando atrás apenas do PL, do ex-presidente Jair Bolsonaro, que atualmente tem 98 cadeiras na Casa. No Senado, a federação reuniria 10 representantes.

Os principais expoentes no PP e no Republicanos são o presidente da Câmara, Arthur Lira (AL), e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, respectivamente.

A possibilidade de uma federação entre as duas siglas já havia sido cogitada em 2021, mas a executiva nacional do Republicanos enterrou a discussão. Em fevereiro do ano passado, o partido afirmou em nota que não se uniria a nenhuma outra legenda para as eleições de 2022 por decisão da maioria da bancada de deputados federais e dos presidentes estaduais do partido.

Nas federações partidárias, as legendas que se associam são obrigadas a atuar de forma unitária ao menos nos quatro anos seguintes às eleições, nos níveis federal, estadual e municipal. O não cumprimento dessa regra pode gerar punições.

Os presidentes do PP, senador Ciro Nogueira (PI), e do Republicanos, deputado Marcos Pereira (SP), se encontraram há cerca de três semanas e conversaram sobre a ideia de retomar as negociações para a federação. Ainda não há um novo encontro previsto para tratar do assunto.

Os dois partidos fizeram parte do tripé de sustentação política de Bolsonaro —junto deles estava o PL. No entanto, algumas alas dessas legendas se aproximaram de Lula (PT) após a vitória eleitoral do petista.

A aliança com o Palácio do Planalto tem se expandido e, há cerca de um mês, essas legendas ganharam um ministério cada: Esportes, de André Fufuca (PP), e Portos e Aeroportos, de Silvio Costa Filho (Republicanos).

Entusiastas da possibilidade afirmam que a federação poderia acomodar interesses locais e nacionais das duas legendas, com sinalização para as eleições de 2026, além de contribuir para o fortalecimento dos partidos dentro do Congresso Nacional.

Na avaliação desses membros, a federação poderia influenciar na disputa pela sucessão de Lira na presidência da Câmara, já que Marcos Pereira, atual vice-presidente da Casa, tem pretensão de ocupar o comando a partir de 2025.

Mas há obstáculos.

Apesar de as tratativas sobre a federação estarem ainda em estágio inicial, integrantes dos partidos já começaram a colocar entraves para o avanço das negociações.

Deputados e senadores do PP e do Republicanos tendem a travar embates por espaço partidário nos estados. Só no Nordeste, há dificuldades ao menos no Piauí e em Pernambuco.

Por isso, uma ala dessas siglas ainda está receosa sobre a viabilidade de uma federação nos próximos meses.

No médio e longo prazo, porém, a perspectiva é de que os partidos precisarão se juntar a outras legendas.

Nesta semana, em discurso em um evento interno do PP, Nogueira traçou um cenário de enxugamento no número de partidos no país. Segundo pessoas que participaram da cerimônia, ele não citou eventual junção com o Republicanos, mas disse que o Brasil caminha para ter cerca de dez legendas em alguns anos.

O objetivo do presidente do PP em negociações anteriores por uma federação era ter um partido robusto que tivesse as maiores bancadas na Câmara e no Senado.

Para Ciro, uma aproximação com o Republicanos também pode ser interessante porque ele mira a vice em eventual chapa presidencial de Tarcísio de Freitas (Republicanos) em 2026, de acordo com relato de aliados.

Durante meses, o PP tentou costurar um acordo para formar uma federação com a União Brasil. Mas essa tentativa fracassou diante de disputas sobre o comando de diretórios regionais em estados.

Membros do PP avaliam que o canal de diálogo com o Republicanos, se avançar, irá fluir melhor do que com a União Brasil, pois há maior disposição de parlamentares do partido de Marcos Pereira em se aproximar do PP.

A avaliação é que PP e Republicanos têm uma convergência na maioria das pautas partidárias, posicionamentos políticos e também na posição de neutralidade em relação ao governo Lula. Dizem ainda que essa sintonia se reflete nas bancadas da Câmara e do Senado.

Além disso, ao contrário do que acontece na União Brasil, Marcos Pereira tem o comando efetivo do partido.

A União Brasil foi criada após a fusão do DEM com o PSL, antigo partido de Bolsonaro. Por ser uma sigla com disputas internas e com poder pulverizado, as tratativas para a federação tinham maior dificuldade para avançar.

ENTENDA AS FEDERAÇÕES PARTIDÁRIAS

Qual o objetivo das federações? 

Seu maior objetivo é incentivar as fusões entre as siglas

Quando foram instituídas? 

As federações foram instituídas na reforma eleitoral de 2021

Quanto tempo duram? 

Os partidos que se federarem deverão ficar juntos durante toda a legislatura seguinte, ou seja, por quatro anos

Qual sua abrangência? 

A união entre os partidos deverá ser nacional, com a federação partidária

Qual a diferença entre federações e coligações? 

Nas coligações, os partidos se uniam só para a eleição. Já nas federações são obrigados a atuar juntos nos quatro anos seguintes

Thiago Resende/Julia Chaib/Victoria Azevedo/Folhapress

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