SÃO PAULO, 1 Jul (Reuters) – As taxas dos Depósitos Interfinanceiros (DIs) fecharam em alta na quarta-feira, seguindo a tendência de alta nos rendimentos dos Treasuries nos EUA, em meio à expectativa de aumento nas taxas de juros pelo Federal Reserve ainda este ano. A taxa do DI para janeiro de 2028 foi para 14,095%, alta de 11 pontos-base, interrompendo uma sequência de sete quedas.
Para janeiro de 2035, a taxa do DI ficou em 14,33%, com um aumento de 16 pontos-base. Esse movimento acontece mesmo com a desaceleração vista após a divulgação de dados que mostraram o crescimento do emprego no setor privado americano abaixo das expectativas, com 98 mil novas vagas criadas em junho, segundo a ADP.
Apesar de um desempenho abaixo do esperado, os rendimentos dos Treasuries permaneceram em alta ao longo do dia, mesmo após os comentários do presidente do Federal Reserve, Kevin Warsh, indicando uma queda nas expectativas de inflação. Os operadores destacam que a valorização dos títulos norte-americanos está diretamente ligada ao aumento das taxas dos DIs no Brasil, além de alguns investidores realizarem lucros após os recuos recentes.
No cenário local, uma pesquisa da Atlas/Bloomberg aponta o presidente Lula com 48,8% das intenções de voto no segundo turno contra 42,3% do senador Flávio Bolsonaro. Em abril, ambos estavam empatados. Entretanto, a candidatura de Flávio enfrenta pressão desde que a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro deixou o PL Mulher devido a desavenças.
Apesar das desconfianças em torno da reeleição de Lula, que é vista como um obstáculo para o controle fiscal e da inflação, notícias desfavoráveis a Flávio tendem a elevar os prêmios na curva a termo. O líder de renda variável da W1 Capital, Tales Barros, observa que as especulações relacionadas às eleições podem rapidamente perder relevância.
Embora as preocupações fiscais sejam evidentes, há uma expectativa de que o Banco Central possa cortar a taxa Selic em agosto. Atualizações recentes mostram uma probabilidade de 57,92% de um corte de 25 pontos-base, contrastando com apenas 37,09% para a manutenção da taxa básica em 14,25%. Uma semana antes, essas probabilidades estavam em 29% para corte e 67% para manutenção.
No exterior, o rendimento do Treasury de dez anos subia 6 pontos-base, alcançando 4,477%. Os investidores observam esta movimentação atenta às decisões futuras, tanto nos EUA quanto no Brasil.
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