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Fechar o gol é tradição na escola Bahia

Escreveu o goleiro do Bahia página memorável na história do clube e na sua própria, ao defender duas penalidades, ao eliminar o lendário Santos,  já-já chegam a decisão e o título inédito da Copa do Brasil.

Não é um ofício tranquilo para um jovem, senão em frente à moldura, onde se protege a rede, certamente pensando nas horas de folga em como se posicionar melhor e ações necessárias para tornar-se um paredão.

Dizia-se, antes das arenas bem cuidadas e dos “campos” artificiais, não nascer grama no local onde pisava o goleiro. Era uma forma de referir, por analogia, as adversidades da inóspita paisagem da pequena área.

Mesmo os campos dos grandes estádios revelavam aquela carequinha, enfrentando nossos bravos ulisses de outrora os enigmáticos montinhos artilheiros, quando a bola quicava nas crateras, tomava impulso para qualquer direção.

Eram tempos menos enfadonhos, para quem curte enredos imprevisíveis, migrando hoje rapidamente para o formato mórbido de um mundo visando a apatia da perfeição.

Outro ditado popular, nascido da relação da física dos campos e a teologia mística, recomendava ao goleiro solteiro dormir com a bola e ao casado, dormir com as duas.

Uma forma de dizer o quanto o corpo de um goleiro precisa estar em harmonia cósmica com o corpo da bola, dedicando-se o sentido do tato à querida gorducha.

Em uma linha do tempo, pode-se dizer ter nascido o goleiro condenado à solidão, mas em contrapartida ganhou a exclusividade de usar as mãos para exercer a função ontológica de estragar o prazer do adversário.

Um dia, um destes goleiros mais avexados, resolveu chamar dois colegas de linha para ajudá-lo, e assim nasceu a primeira parelha de backs, rigorosamente a pioneira invenção tática dos primórdios do foot-ball moderno.

A sensação de abandono, no entanto, permaneceu, didaticamente ajudando a entender a condição humana, pois mesmo pulando Carnaval, abrindo caminho a cotovelo na massa, o homem estará irremediavelmente só.

Cada goleiro é um de nós, fazendo escolhas para defender os chutes do mundo, mas o número 1 tem a vantagem de saber se fez a escolha certa ou não logo após o lance. Nós, mortais, nem isso.

A angústia, portanto, é necessária ao ser-goleiro, inspirando Belchior em uma de suas preciosidades: “estava mais angustiado que o goleiro na hora do gol…”

O atual goleiro do Bahia dá sequência à escola fundada por Teixeira Gomes, tendo Leça como sucessor, “um goleiro, uma garantia”, no hino antirracista de Gilberto Gil.

O primeiro goleiro do Bahia do qual tomei conhecimento foi Picasso, porque era figurinha de flandre autocolante no álbum colecionado na infância, mas depois vieram outras grandes figuras tentaculares.

Renato 74 usava este número para pedir sua convocação para a Copa; o argentino Buticce era uma onda, defendia até de cabeça e treinava pra ser piloto no antigo aeroclube; Zé Luís veio do CSA, Roberto Bahia … Luiz Antônio…

O renato mais famoso pegou no Atlético Mineiro, Flamengo e Fluminense; Joel Mendes fazia cada ponte! Tivemos Sidmar, mas quando Ronaldo Passos entrou, pegou tudo no bi de 88! Parabéns, Bahia, pela escola de supergoleiros!

Paulo Leandro é jornalista e professor Doutor em Cultura e Sociedade

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