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Guardar e defender o espaço escolar é função do Estado

Os ataques às escolas estão em um ritmo nunca antes visto no Brasil. Em duas semanas, ao menos cinco ataques graves ocorreram no país, sendo o pior deles em Blumenau, onde um maníaco assassino atacou crianças de 4 a 7 anos com um machadinho, deixando quatro vítimas fatais. Em meio aos questionamentos sobre as motivações dos ataques, além de uma busca psicoantropológica dos intelectuais ante o que já se sabe sobre os criminosos que efetuaram os ataques, a pergunta que realmente assombra os pais é “o que as autoridades estão fazendo para impedir atos como esses?”. Alguns governadores, como o de Santa Catarina, Jorginho Mello, já anunciou a presença atuante da  Polícia Militar nas escolas do Estado; o Governo de São Paulo, junto à sua PM, por sua vez, anunciaram um aplicativo com a função de “botão do pânico” exclusivo para ataques em escolas. Após acionar o botão, a viatura mais próxima à escola será imediatamente notificada do ocorrido e imediatamente direcionada ao local; o mesmo foi feito pelo governo do Rio de Janeiro e, ao que tudo indica, outros Estados devem copiar Rio e São Paulo nessa medida. Ronaldo Caiado, governador de Goiás, anunciou esta semana a instalação de centenas de detectores de metal nas escolas, além de rondas extensivas da PM ao redor das escolas públicas.

Atos como esses, ainda que bem-vindos diante da situação calamitosa e assustadora dos ataques recorrentes, ainda são extremamente ineficientes em uma análise mais acurada. Excetuando o ato de alocação de efetivos policiais para as escolas, e aqui deixo meus sinceros parabéns ao governador de Santa Catarina pela rápida e incisiva decisão, ignorando especialistas enviesados que acham um absurdo militares habitarem o mesmo terreno que os pedagogos, os aplicativos com “botões do pânico” ‒ ainda que desejáveis e aplicáveis em uma situação de emergência ‒, pouco ou nada  ajudam ante um ataque real, por já estarmos falando de remediação ao ataque, e não de prevenção a ele.

Ainda que eu não seja um especialista em segurança pública e nem, Deus me livre, em educação pública, é muito óbvio notar que, para evitar ataques como os que estão acontecendo recorrentemente nas mais diversas localidades do país, um ato conjunto das forças de Estado e municipal deve existir DENTRO das escolas, e não meramente ao redor delas. Além dos detectores de metal, uma ótima medida não invasiva de vistoria e prevenção, a presença da PM dentro do espaço escolar ajudará não só em uma eventual resposta imediata a um ataque, como na própria intimidação dos terroristas que planejem se aventurar naquele local. No entanto, parece existir um medo nos governadores, quem sabe até mesmo uma impossibilidade administrativa, em colocar policiais nas escolas durante o funcionamento das mesmas; é sabido que há uma pressão de especialistas e políticos à esquerda para que isso não ocorra, acreditam eles que militares armados poluem o espaço educativo ‒ uma tremenda baboseira ideológica na qual não me deterei neste artigo. Porém, se diante de casos de crianças e adolescentes, além de professores, morrendo com ataques recorrentes às escolas, o pragmatismo não assumir o lugar da ideologia, temo que o mais adequado aos pais seria, então, urgentemente  retirarem suas crianças daquele espaço, pois um governador que não consegue vencer suas paixões ideológicas em favor da segurança efetiva dos alunos, definitivamente não está pronto para o cargo que exerce. Uma encrenca filosófica não vale a vida de nossos filhos. 

Com isso, todavia, não quero desmerecer atos de prevenção educativa que a esquerda sempre pontua como necessárias. Elas também devem compor esse hall de ações e, a longo prazo, devem trazer boas consequências; todavia, o que notamos hoje é a necessidade de atuação imediata contra criminosos que estão usando o espaço escolar desprotegido e lotado de vítimas sem poder de reação para fazerem suas carnificinas e circos psicóticos. Para mim, um liberal, o Estado tem pouquíssimas funções realmente fundamentais, uma das poucas delas é ofertar segurança efetiva no espaço escolar. O Estado, através de decisões recentes, retira cada dia mais o poder de educação curricular das famílias, colocando-as quase que unicamente sob a tutela dele próprio. Pois bem ‒ ainda que eu seja completamente contrário ‒, se o Estado quer monopolizar a educação das crianças brasileiras, é então seu dever imediato garantir segurança efetiva dos alunos nas escolas.

Conversando com pais e amigos, além e refletir eu próprio sobre o caso, é cada vez mais perceptível a sensação de que “é melhor, nem que seja por hora, retirar as crianças das escolas”. O próprio homeschooling, que para muitos amigos era inviável e até mesmo indesejável, já começa a figurar como possibilidade real, sendo que dois casais, desde a semana passada, efetivamente começaram a praticar a educação familiar. Pessoalmente não tenho uma ideia formada sobre o homeschooling ainda, por isso isso não se trata de um discurso em favor dele, trata-se antes de constatações  referentes ao dia a dia; e, sinceramente, se antes já não criticava e, talvez, fosse até previamente simpático à ideia, hoje a educação familiar me parece ainda mais sensata e praticável que antes.

Entretanto, não sou um radical, pelo menos sempre tento ser ponderado em minhas análises, ainda que muitas delas soem incisivas e até afrontosas; não culpo somente o Estado pelos ataques recorrentes, há de se entender a complexidade e o mar de conexões fugidias que há nas captações dessas intenções pelos trabalhos de inteligência dos órgãos de segurança, pelos profissionais da educação e dos próprios familiares e amigos, nem sempre um surto psicótico ou a situação deplorável de uma mente recôndita em seus dramas são coisas perceptíveis. Mas, quando esses ataques passam a ser recorrentes, quase que metódicos, fazendo-me até mesmo questionar se nesta suposta aleatoriedade não há antes uma centralidade ou, quiçá, uma organização inteligente. No último dia 11, na cidade de Maquiné, no litoral norte do Rio Grande do Sul, agentes do Core (Coordenadoria de Recursos Especiais), apreenderam um adolescente de 14 anos e seus pais sob a suspeita de planejarem um ataque a uma das escolas municipais daquela cidade; na casa, foram encontrados objetos de culto à ideologia nazista. Uma das urgências nesses casos, por tanto, é saber o que  são realmente ataques isolados, e o que é fruto de planejamento mais elaborado de, talvez, grupos.

Segundo o levantamento realizado pela UNICAMP, no Brasil há 22 casos registrados de ataques em espaços escolares, desses 22 casos, 13 deles foram realizados nos últimos dois anos; o que mostra uma tendência efetiva de aumento desse modus operandi e, como disse suspeitar acima, de uma ligação metodológica a ser devidamente investigada. Por fim, creio ser muito justo, e até mesmo imperativo, começar a questionar a culpa que o Estado pode ter nisso tudo caso tais ataques continuem acontecendo, afinal, ele mesmo se definiu como o único defensor viável das escolas. Assim sendo, tardar em colocar as forças de segurança dentro das escolas, em exercer medidas de inteligência investigativa, além de prevenções educativas diversas no longo prazo, é o mesmo que possibilitar que tais ataques continuem acontecendo.

A cada ataque em escolas públicas, mais o Estado assume um caráter de condescendência devido a seu papel assumido e defendido nessa equação; a urgência da situação exige celeridade máxima das autoridades, com o risco de se tornarem, por força da lentidão burocrática, quase que  coautores dos ataques que poderiam ter sido evitados ou respondidos com mais efetividade se não fosse o medo de desagradar especialistas ideologizados, ou de romper o entupimento burocrático da máquina pública ante a emergência dessa situação. O relógio é o maior inimigo das autoridades que gerem o poder público, a cada notícia de novo ataque, mais pais e comunidade em geral começam a repensar a necessidade de exporem seus filhos a um local que, como está claro nos últimos meses, é o preferido dos terroristas locais. Se o Estado quer os benefícios do monopólio educacional, que assuma também as aporias dessa situação; guardar e defender o espaço escolar é sua função, e não fazê-la de forma adequada já não é mais acidente, cada dia mais se torna, no mínimo, mera incompetência.

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