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“Não fala árabe e nem sabe o que é Hezbollah”, diz advogado de preso

São Paulo – “O Jean não sabia nem o que era Hezbollah. Ele perguntou pra mim: Dr, eu já ouvi falar, mas o que é o Hezbollah?”, relata o advogado José Roberto Timóteo, sobre a conversa que teve com seu cliente, Jean Carlos de Souza, após ser preso perto de um hotel em São Paulo, nesta terça-feira (7/11). Ele é alvo da Operação Trapiche, deflagrada pela Polícia Federal (PF) para investigar supostos planos de atentados terroristas ligados ao grupo libanês no Brasil.

Jean Carlos estava ao lado de uma lanchonete e havia deixado suas malas em um hotel no Centro de São Paulo quando apareceram agentes da PF e disseram que estava preso. A ele, foi dada a chance voltar ao hotel, pegar suas malas, antes de ser encaminhado para a custódia da PF em São Paulo. Por lá, ligou para um tributarista de sua confiança, que indicou José Roberto Timóteo, que é criminalista e agente da PF aposentado.

“Você está falando sério?” A primeira orientação que recebeu de José Roberto, ainda por telefone, foi de ficar quieto até que ele chegasse à PF. O criminalista diz ter chegado à Superintendência de São Paulo uma hora depois de o delegado ter ido embora e, por isso, seu cliente acabou não falando aos investigadores. Em sua primeira conversa com Jean Carlos, diz José Roberto que deu até um puxão de orelha quando ouviu dele que nem sabia o que era o Hezbollah.

“Eu perguntei: Você está falando sério? Porque eu sou um advogado, e você tem de falar pra mim, lá na Justiça você pode mentir, eu vou te orientar, é outro papo, a gente vai fazer a defesa. Agora, para o seu advogado você não pode inventar. Não sabe o que é Hezbolah, não? Ele disse: Dr, ouvi falar, eu claro que fui à Turquia, ao Líbano, várias vezes, mas eu não sei o que é…”, diz o advogado ao Metrópoles.

O advogado conta que disse ao seu cliente se assustou ao descobrir que o caso já estava repercutindo em emissoras de TV ao redor do mundo. “Ele começou a chorar e disse: dr, mas o que é isso?”, relata.

O Metrópoles apurou que o principal investigado da PF tem o nome de Mohhamad Akhir. De acordo com os investigadores, há fartos indícios de que ele seja “integrante, de fato”, do grupo Hezbollah. Outros alvos da Trapiche, segundo as investigações, teriam tido graus diferentes de contato ou até mesmo viajado com ele. A PF desconfia de que haja cooptação de brasileiros pelo grupo.

“Café e ouro” Questionado pelo Metrópoles sobre a relação com Akhir, o advogado de Jean Carlos afirma que seu cliente viaja ao exterior como “intermediário de negócios”, e que conheceu Akhir neste contexto. “O sujeito tem café aqui para vender. Ele vai para o Líbano tentar vender café, açúcar, ouro. Como você faz isso? Se relacionando com libaneses aqui no Brasil. O Jean não fala a língua árabe e reside em Santa Catarina, em Joinville. Porque o Mohhamad Akhir mora em São Paulo, se não me engano”, afirmou.

O advogado afirma que Jean Carlos viajou com Akhir para o Líbano para “prospectar negócios”. “Ele disse : eu fui lá para vender café, vender ouro. O sujeito me leva para o Líbano. Na linguagem dele: Dr, eu fui ganhar uma moeda, um dinheiro. É isso que eu faço”, afirmou.

Até o momento, as defesas de investigados, segundo apurou o Metrópoles, ainda não obtiveram acesso à investigação para entender quais são as provas que a PF usou para pedir suas prisões e buscas em seus endereços. O pedido de prisão foi feito pela PF e pelo MPF à Justiça Federal em Belo Horizonte, em Minas Gerais.

A Justiça determinou que Jean Carlos e outros investigados fiquem presos por 30 dias. E, que, expirado este prazo, devem ser postos em liberdade. “”Prender alguém por 30 dias com uma acusação pesada como esta por suposição é algo vergonhoso do ponto de vista jurídico. Isso é vergonhoso”, diz o advogado.

“Estou sendo tratado igual a um bandido” Em audiência de custódia nesta sexta-feira (10/11), Jean Carlos afirmou ter 38 anos, uma filha de 15 anos e um filho de dez. Afirmou trabalhar com “captação de negócios” e ser formado em gestão de produção industrial. Ele afirma que não tem ficha criminal, e que viaja muito a negócios.

“Já fui parado algumas vezes pela polícia federal e até então eu estava entendendo o motivo das paradas. Mas sempre que a polícia federal me para ela tem o intuito de procurar drogas na minha bagagem. Tanto é que se eu fizer uma viagem bem antes, ela vai me parar. Só que sair deu ma acusação de tráfico onde você vai esclarecer na hora e me jogar num terrorismo eu acho que é algo muito sério”, disse.

Ele nega ter qualquer relação com terrorismo. Jean Carlos também disse a senha de acesso de seu celular à juíza federal de São Paulo que conduziu sua audiência de custódia. “Não precisa passar trabalho. Se existe a dúvida, eu vou cooperar. É só me perguntar. Meu celular foi recolhido, ninguém veio: qual é sua senha? Eu estou sendo tratado igual a um bandido”, disse.

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