Farinha do Extremo Sul e sub produtos da mandioca rumo a conquista de outros mercados

A mandioca, produto tipicamente brasileiro, vem gerando bons frutos para a comunidade do Extremo Sul da Bahia.

A mandioca é produto tipicamente brasileiro e é presença garantida no prato do baiano. No extremo sul da Bahia a farinha branquinha fina e torrada é apreciada e disputada por mineiros e capixabas mas pode ganhar ainda outros mercados através da adequação ao projeto de Farinheira Sustentável que prevê a utilização plena da mandioca da raiz às folhas e através da tecnologia implantada pelo PAT Madiocultura que promove um aumento de produção de cerca de 40% por área plantada. Para isto está prevista a implantação de 22 maniveiros e 36 Unidades Demonstrativas.

O PAT é resultado de uma parceria entre o Banco do Nordeste através do Programa de Desenvolvimento Territorial, Núcleo Diretivo do Território, Secretarias Municipais de Agricultura, FIBRIA Papel e Celulose, CEPLAC, BAHIATER, Sindicatos de Agricultores Familiares, Sindicatos Rurais, Cooperativas, Associações, Secretaria de Desenvolvimento Rural do Estado da Bahia, Instituto Biofábrica de Cacau e Embrapa Mandioca e Fruticultura.

Dentre os municípios envolvidos no projeto (Alcobaça, Caravelas e Teixeira de Freitas), destaca-se o de Alcobaça por possuir cerca de 400 farinheiras. De Acordo com o Secretário de Meio Ambiente Jackson Lacerda, esse fenômeno se justifica historicamente pelo fato da cidade ter sido sitiada por pequenos produtores.

A Mandiocultura ganhou status:

O que era um produto de subsistência por sua facilidade de adaptação a solos pobres e sua resistência a escassez de chuvas, hoje ganhou status internacional e pode vir a ser o tubérculo do futuro. Se usado em sua plenitude pode significar uma rentabilidade equiparada a do café, além de promover geração de emprego e renda.

Essa nova realidade vem sendo discutida a algum tempo e foi o tema principal desse Primeiro Encontro Territorial de Mandiocultura, no âmbito do PAT Mandiocultura, realizado na segunda quinzena de agosto em Teixeira de Freitas. O evento reuniu diversas autoridades, entre elas o Promotor Regional Ambiental, Dr. Fábio Fernandes; Jeilly Vivianne – Polímata (PDRT); Maria das Graças Novais Santana – CAVI; Lívia Lemos – UFSB; Narcisio LOSS – Fibria Celulose (PDRT); Jakson Lacerda Santos – Secretaria Municipal de Meio Ambiente de Alcobaça; Dorivaldo de Almeida Neves – Secretaria Municipal de Agricultura e Desenvolvimento Econômico de Teixeira de Freitas; Araildes Martins Ribeiro – Banco do Nordeste e Paulo Sérgio Onofre – coordenador vigilância sanitária Alcobaça.

Aproveitamento total:

De acordo com Jeilly, o Programa Farinheira Sustentável que engloba agricultores familiares das cidades anteriormente citadas, deve atender a uma demanda tanto dos agricultores, como da Vigilância Sanitária, do Ministério Público e dos órgãos ambientais. TRata-se de uma adequação tem por objetivo tornar as unidades de farinha, sustentáveis. Para isso é preciso que a planta seja aproveitada da raiz às folhas. Ainda de acordo co a engenheira, a mandioca é muito versátil é pode ser usada para produção de silagem, ração, herbicida ou farinha, goma, tapioca e outros subprodutos.

O Projeto contempla a parte ambiental, a parte social e a parte econômica. A intenção é proporcionar ao produtor conhecimento e outras ferramentas para que ele aproveite a mandioca em sua totalidade. Um exemplo é a Manipueira que é o liquido extraído da mandioca quando ela é prensada no processo de fabricação da farinha. Esse líquido é nocivo e geralmente jogado na natureza. No entanto através da manipulação adequada da manipueira, o que era veneno pode se converter em alimento para os animais e em adubo ou herbicida, gerando ganho de produtividade e consequentemente, renda.

Conquistando independência:

Estão sendo implantadas e têm inauguração prevista para o mês de outubro, pelo menos três fábricas de farinha dentro dos padrões da Farinheira Sustentável visando servir de modelo para os produtores. As farinheiras que se adequarem ao projeto, recebem o alvará ambiental e o sanitário e, com isso, terão possibilidade de empacotar os produtos fabricados e alcançar outros mercados.

” O agricultor familiar que tem sua pequena unidade, não consegue atender a legislação sanitária, nem ambiental e fica refém do atravessador. Uma vez que ele consegue usar a mandioca na sua plenitude ele começa a ter renda, que hoje ele não tem e começa a fazer a adequação de sua farinheira. A manipueira é o primeiro passo para essa adequação”, informou Jailly.

Em suma, o Projeto tem o objetivo de levar conhecimento ao homem do campo para que ele evite desperdício, como por exemplo o da goma que não é decantada e também o da parte aérea da mandioca, que ao invés de ser industrializada é queimada. Isso significa dinheiro jogado fora.

Eloiza Neves dos Santos, presidente da associação da comunidade Nova Esperança se diz muito feliz com a evolução das farinheiras

“desde que nasci eu via minha mãe trabalhando com farinheira. Então isso é que eu tô cativando até hoje. Só que antigamente, a farinheira da gente era de qualquer jeito pois eu não tinha condições e nem tenho condições, mas agora eu já recebi o projeto. Dory falou pra mim de um projeto pra fazer cinco farinheiras e que a minha farinheira é uma que está no projeto. Eu tenho muito que agradecer! A Fíbria também está me ajudando, me dando suporte na zona rural com a associação, então eu estou muito alegre, muito contente.” Enfatizou Eloiza.

Bahia é campeã em Agricultura Familiar:

De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a agricultura familiar corresponde a 10% de todo o Produto Interno Bruto (PIB) do País, emprega mais de 80% da mão de obra no setor rural e é responsável por 70% dos alimentos produzidos no Brasil. Na Bahia, sua importância é ainda maior. Atualmente, a Bahia é o estado que possui o maior número de agricultores familiares do Brasil. São mais de 660 mil empreendimentos familiares, correspondendo a 83% do feijão, 76% dos suínos, 60% de aves, 52% da produção de leite e 91% da produção de mandioca de todo o estado.

Fonte | Foconopoder

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