
A Polícia Civil da Bahia mobilizou, em 12 de novembro de 2025, a Operação Desarticula, uma ofensiva planejada para conter a reorganização logística e bélica de uma organização criminosa com atuação consolidada no extremo sul baiano. A ação, executada em conjunto com a Polícia Militar da Bahia, teve como alvo o Assentamento Osmar Azevedo, zona rural de Itabela, apontado como principal ponto de homizio e depósito de armamentos utilizados pela facção.
O ambiente encontrado no assentamento demonstrava não apenas a dimensão da estrutura criminosa, mas também o nível de risco enfrentado pelas equipes. Assim que anunciaram o cumprimento do mandado da Vara Criminal de Itabela, os policiais foram recebidos sob múltiplos disparos, vindos de posições estrategicamente preparadas no terreno. O ataque representou risco iminente à vida dos agentes e dos moradores das imediações, tornando a atuação das forças de segurança ainda mais crítica.
Em legítima defesa e seguindo o estrito cumprimento do dever legal, as equipes revidaram a agressão injusta. Criminosos evadiram pela mata, mantendo o confronto. Dentro da residência principal, outra equipe tática voltou a ser surpreendida por disparos, o que reforçou a necessidade de contenção imediata da ameaça. O saldo da ação resultou em seis indivíduos resistentes alvejados durante a oposição à intervenção policial.
A dimensão do arsenal encontrado escancara o poder de fogo da facção. Entre os materiais apreendidos estavam fuzis calibre 5,56, pistolas, revólveres, grande variedade de munições, além de placas de cerâmica, acessórios bélicos, rádios comunicadores e roupas camufladas utilizadas para operações criminosas. A presença de drogas em grande quantidade, somando mais de 5,6 kg de entorpecentes entre maconha, cocaína e crack, reforça o caráter multifacetado da organização.
Os policiais também apreenderam veículos, celulares, balanças de precisão, mais de 13 mil pinos para cocaína e dinheiro fracionado, característico do tráfico varejista. Todo o material foi apresentado na Delegacia Territorial de Itabela, que centralizou as providências legais.
Com a fuga de parte dos criminosos, especialmente os que se embrenharam pela mata, uma segunda fase foi mobilizada. Unidades especializadas — CIPT-ES, CIPE-MA, CIPPA/PS e o Canil do 8º BPM — reforçaram a operação, realizando varreduras, rastreamentos e buscas com cães farejadores K9, ampliando o cerco na região.
A Operação Desarticula não apenas revelou o grau de sofisticação do armamento utilizado pela facção, como também trouxe à superfície um cenário até então oculto: o uso do assentamento como base estratégica para abastecimento, treinamento e armazenamento bélico. A ação, marcada por conflito direto, risco elevado e resposta precisa das forças de segurança, representa um marco na disputa pela retomada territorial e no enfrentamento às estruturas criminosas que se impõem sobre comunidades rurais vulneráveis.